terça-feira, 22 de novembro de 2011

ETERNO FOLGUEDO

ETERNO FOLGUEDO
-Pedro Brasil Jr -
É quase um relógio!
Mas com ponteiros paralelos!..
Ah!Essas pernas que um dia foram pé-de-moleque!
E que moleque!
Travessuras mil em meio também a mil ilusões.
Como seria o futuro, pensava!
Mas isso não era nada importante se comparado aos folguedos.
Soltar raia ou pipa, correr com arco ou bater pneus.
Quem sabe hoje o que é?
A gente que viveu não esquece!
Dia de sol, de bola, de correria sem fim.
Incansáveis moleques baterias, com uma energia sem fim.
Só aos sonhos nos entregávamos através da noite.
E no dia seguinte as gotas da chuva compunham nova canção na calha.
Bafo no vidro da janela! A rua vazia, sem folguedos.
Alguém passando com o guarda-chuva!
Um cachorro encharcado!
Na primeira chance... lá estávamos pulando poças!
Sujos, enlameados, sorridentes pela festa!
O tempo era ruim para os adultos. Descobri mais tarde.
Não ficávamos doentes e nem impacientes!
Só pulávamos poças nos dias de chuva!
E pulávamos, sem perceber, as incontáveis horas de cada dia.
Lá se foram os anos, os folguedos, as chuvas de outrora.
Mas segue-se pulando poças, porque afinal de contas,
o que é a vida senão um eterno folguedo?


-São José dos Pinhais – 22/11/2011

2 comentários:

Sissym disse...

Pensa bem como tivemos sorte!
Nós fomos as verdadeiras crianças!
Coitadas das urbanas demais... nascidas atrás de grades pois as cidades são tão perigosas. Seus modernos pais não tem mais tempo, porque os relogios ultrapassam as horas normais.
Normais?! Eu fui, eu sou, continuarei sendo... e quem quiser acompanhar, que pule a proxima poça e aproveite para fazer caretas...

Coisa nostálgica... deliciosamente lembrada e que faz parte de um passado que o futuro só o conhecerá atraves de nossas palavras.

BEIJOS

Clarice Villac disse...

Que coisa boa manter contato, manter viva a criança em si, conversando com ela, podendo sentir seus olhares e impressões !

Grande riqueza, esse pular poças e permanecer com o espírito brejeiro !

Viva !