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segunda-feira, 9 de abril de 2012

A POESIA DE SUZANA MAFRA

PATOS
-Suzana Mafra -
O pato nada sabe do que sinto ou vejo
pescoço escondido em si mesmo

Ninguém se aborrece com o pescoço do pato
Fosse um homem a parar na beira da rua
com o pescoço dobrado e a cabeça enfurnada em si

Ninguém se aborrece com os patinhos
Ninguém se importa mesmo com os poucos patinhos dentro do cercadinho
Último vestígio do mundo selvagem


Veja mais da autora em http://borboletrasnoquintal.blogspot.com.br/

sexta-feira, 23 de março de 2012

A POESIA DE RUMI

TU E EU

“Feliz o momento em que, estando sentados no palácio,
tu e eu,
Com duas formas e dois rostos, mas uma só alma, tu e eu.
As cores do bosque e as vozes dos pássaros concederão a imortalidade.
No momento em que entramos no jardim, tu e eu!
As estrelas do céu virão nos olhar:
Nós lhes mostraremos a lua, tu e eu.
Tu e eu, liberados de nós mesmos, estaremos unidos no êxtase,
Felizes e sem vãs palavras, tu e eu.
Os pássaros do céu terão o coração devorado de inveja,
Nesse lugar onde riremos tão alegremente, tu e eu!
Grande maravilha é que tu e eu, enovelados no mesmo ninho,
Encontramo-nos nesse instante, um no Iraque, e o outro em Khorassan, tu e eu."
- Jalal ud-Din Rumi (1207-1273) -

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

PÃO-PAZ

"Haverá sempre esperança de paz na Terra
enquanto houver um semeador semeando trigo
e um padeiro amassando e cozendo o pão,
enquanto houver a terra lavrada e o
eterno e obscuro labor pacífico do homem,
numa contínua permuta amistosa dos campos e das cidades."
Cora Coralina (1889-1986), poeta brasileira, em Pão-Paz, do livro Melhores Poemas

segunda-feira, 27 de junho de 2011

ALENTO

Eu quero te esperar

Nos momentos de desalento

Com meu olhar te abraçar

E com meu colo te dar

O fôlego e a força

Para superar

Cansaços e medos

No teu desconsolo

Eu quero ser teu alento

Para trazer

Com afagos e carinhos

A certeza e o sentimento

De saber que és a luz

Que brilha no meu firmamento.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

VIOLA ENLUARADA



ETERNAS CANÇÕES
-Pedro Brasil Jr-
Já é quase metade do ano!
O outono começa sua dança e as folhas se preparam para deixar a cena.
Logo, árvores nuas incitando poesias puras!
Como terá sido o outono passado?
Parece que faz tanto tempo...
Morrem as folhas, mas a poesia jamais morre!
Mudam os acordes, mas aqueles de outrora se eternizam!
Éramos meninos apenas, correndo atrás da bola na rua.
Mas ja havia muita gente grande preocupada!
Preocupada com a liberdade então engaiolada!
Foram-se os anos, abriram-se as gaiolas, e a liberdade alçou vôo feliz!
Foram-se os anos e as poesias-canções se alojaram em nossas mentes.
Músicas dementes vieram depois!...
Mas aquelas "certas canções", volta e meia se soltam e fazem o coração pulsar pela certeza da vida e pela essência que o passado soltou no ar num outono já tão distante...
Fizemos ao longo do tempo uma audaciosa "travessia", se divertindo "nos bailes da vida", olhando o futuro pela "paisagem da janela",temperando as dificuldades com "o sal da terra" e levando a vida com a certeza de que só "tocando em frente" é que se pode chegar aos objetivos traçados e reviver num daqueles instantes mágicos a poesia viva de uma "viola enluarada". (02/maio/11).

Faça agora o seu momento mágico de quatro minutos e curta "Viola Enluarada" no link http://youtu.be/0cUtT1VPLMI

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A POESIA DE OMAR MINGUILLÓN

Tenho bebido
mais do que um homem pode beber.
Vinho misturado com pétalas
da flor vermelha
que os mercadores do Nascente
abandonaram em sua fuga.

As vezes me parece
que estamos nele
como no mar
quando não há vento.

As correntezas
levam cada barco
em distintas direções
e velocidades.

Alguns homens remam
e outros simplesmente esperam.

Cedo ou tarde,
de uma ou outra forma,
o mar deixará todos na praia.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A PÉROLA

A PÉROLA
-Pedro Brasil Jr -
Quando me vi refletido nos teus olhos, me tornei um aventureiro pelos mares do teu ser. Naveguei pela maciez da tua pele ainda com as mãos trêmulas. Como não sentir tamanha emoção? Verdade que o teu oceano de amor também guardava segredos que fui aos poucos descobrindo. Um beijo quase interminável! Um arrepio na espinha! E comecei a navegar com as mãos lentamente, tateando o teu ser, a tua existência. Seios intumescidos! Sugestivos! E fui singrando mar adentro, deslizando como caravela solta ao vento. Beijei teu corpo centímetro por centímetro e fui descobrindo interessantes desenhos que a natureza se encarregou de gravar. Toquei, finalmente, teu segredo maior. E vi teus olhos brilharem e pude ouvir um gostoso sussurro. Finalmente, vasculhando teus detalhes, descobri tua pérola e fiz dela o derradeiro botão de uma explosão de prazer. Senti tuas mãos me apertarem! Senti você me agarrar pedindo para ir em frente. E eu segui navegando, ora com as mãos, ora com minha língua! E fui apreciando os teus sabores todos e sentindo todo o esplendor da tua entrega. Finalmente, me deixei levar pelo impulso e fui ter com toda a tua intimidade. Então, atraquei meu navio no teu porto e me deixei descansar depois dessa maravilhosa aventura de sentir, em todas as nuanças, a poderosa e avassaladora força do teu amor.
- S.J.Pinhais 30/Maio/2005 -
*Publicado originalmente nos Anjos de Prata- www.anjosdeprata.com.br

segunda-feira, 4 de abril de 2011

SOLIDÃO

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência!
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudade!
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio!
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente...
Isto é um princípio da natureza!
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é circunstância!
Solidão é muito mais do que isto...
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.

terça-feira, 29 de março de 2011

AFINIDADE

AFINIDADE
Zenaide Giovinazzo

Afinidade é o entendimento entre corações,é quando a distância não doi pois existe a certeza de que nada mudará. Afinidade é saber respeitar o tempo e o espaço do outro, afinidade é a mais pura amizade, é a compaixão, é o encantamento, a lealdade, é o silêncio, a espera. Não existe diferença entre sexo, idade,cor da pele, religião. Existe afinidade, e ponto! Afinidade é espontânea, não aceita compromisso,Afinidade não é amor... ela é muito mais que isso.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A POESIA DE ELIZABETH BISHOP

UMA ARTE
-Elizabeth Bishop-
“A arte de perder não é nenhum mistério; Tantas coisas contêm em si o acidente De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente. A arte de perder não é nenhum mistério. Depois perca mais rápido, com mais critério: Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita. Nada disso é sério. Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes. A arte de perder não é nenhum mistério. Perdi duas cidades lindas. E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente. Tenho saudade deles. Mas não é nada sério. – Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério."
Tradução de Paulo Henriques Britto

sexta-feira, 11 de março de 2011

DOAÇÃO

DOAÇÃO -Wilma Julia Werner- Enquanto as pessoas se violentam Em seus cérebros escorregadios, Maquinam armas nucleares, Eu aqui, busco dentro do meu mundinho Tão só uma palavra que seja um presente, Para lhe ofertar. E na escuridão que engole tudo Falo de amor, que perfuma o mundo E coloca as almas de joelhos. Falo dos anseios, dos medos, de mãos postas Pedindo benção, falo de Deus, de vida, de alegria. Peço ao Criador que minha poesia Possa lhe dar um pouco de um mundo diferente. E embalar suas emoções. O mundo lá fora se lamenta e chora E as crenças mortas falam nos altares. E eu aqui, na solidão que me afoga, Acaricio palavras para lhe ofertar, Como se fosse pão, que mata a fome e alimenta a alma. Lhe dou de presente minha essência, Meu céu criado com poder, Pronto pra te amar e , enquanto lá fora as pessoas mendigam, Atenção, carinho, amor... Aqui eu faço-me e te dou de presente. E nas letras da minha poesia, eu criei um mundo diferente. E enquanto lá fora, o egoísmo engole o mundo, Eu aqui me transformo em amor e me dou a você, De presente

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

SÓ UM LEMBRETE DO QUINTANA

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira... Quando se vê, já terminou o ano... Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê, já passaram-se 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado. Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas. Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo, pois a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.
(Mário Quintana)