quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

MUITA LUZ PRA VOCÊ EM 2011

DE MÃOS DADAS COM O TEMPO

Novamente vou deixar minhas pegadas na areia!... Até que as pequenas ondas apaguem minha passagem. Mas na alma e no coração, estas marcas se eternizam a cada ano que passa. Termina o ciclo e renasce a esperança! Abrem-se novas cortinas e começa o novo espetáculo da vida. Deixarei sim, novas marcas na areia, em minha alma e no coração de todos os que estiveram presentes ao longo da jornada que finda. Logo; estaremos seguindo cada um de nós o seu norte. A Rosa dos Ventos demarcará os rumos! O tempo avançará implacável e a vida ganhará mais um ciclo de existir. As pegadas desaparecem, o dia que termina, desaparece também. Descortina a noite com seu véu de estrelas e lá distante, o farol do fim de mundo emana sua luz fraterna. Pela noite, nossos sonhos, nossas viagens astrais. Pela vida, nossas ações, nossos anseios, nosso repensar em como viver melhor. Pise firme na areia. Decalque suas marcas e abra seu coração para o novo ciclo que daqui a pouco se inicia. O Novo Ano é apenas uma seqüência do magistral sincronismo de tudo que nos cerca. Tudo circula pelo Universo com a precisão mais incrível e até mesmo nossas pegadas na areia possuem um grande segredo: o de passar diante da imensidão de mãos dadas com o tempo e ir de encontro às surpresas da nossa Esperança. (p.b.j)
*publicado originalmente na Usina de Letras

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

QUANDO A FÉ FAZ TODA A DIFERENÇA

Ser diferente em meio a tantos iguais! Onde está a diferença que torna alguns mais vistos, exaltados, reverenciados? Pequenos detalhes que premiam alguns e os tornam de certo modo famosos. Famosos pela beleza acima da média ou da feiura que a todos espanta. Seja entre homens ou animais, algumas situações inusitadas podem ajudar em mudanças radicais tornando-se exemplo de perseverança e muita fé. Conheça a história de Faith, um cãozinho que nasceu sem as patas dianteiras e se tornou uma grande atração, apesar de sua aparente diferença. Veja sua história em nosso outro blog: www.columbianews2008.blogspot.com

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

AH! ESSAS ESTRADAS...

Ah! Essas estradas de viajantes apressados! Só enxergam a distância e imaginam o destino. Mas não conseguem enxergar a verdadeira maravilha da suposta aventura. De um lado tem o sol, a relva, os arvoredos,o horizonte sem fim. Do outro, o descortinar da noite, o véu de estrelas, o farol lunar e a certeza de um renascer. Ah! Essas estradas mundo afora! Tão longas, tão curvas e retas, tão incertas, às vezes,quanto nossos sonhos mais absurdos. Mas viajar é preciso e vislumbrar, uma ordem! (P.B.J.- 30/11/10) *Em alusão ao texto "Dia Lindo", de Mónica, da cidade de T.Vedras/Portugal em seu Blog "Dias da Mónica" em: www.diasdamonica.blogspot.com

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

RACHEL- A SENHORA DAS LETRAS

Uma mulher traça seu destino pelo Caminho de Pedras e entre idas e vindas, se deixa levar pelos encantos das Três Marias até novos encontros. Primeiro com João Miguel e depois com Dora, a Doralina. Seu nome era Rachel, aquela que não gostava de escrever, mas que o fazia só para sobreviver. Quantas palavras emboladas num novelo de histórias compridas, fascinantes e eternas. Palavras que saltitavam de sua inspiração e seguiam, de alguma maneira, aquele Caminho de Pedras tão meticulosamente construído pelos tantos anos vividos.
Palavras que mereceram admiração e que por certo, em muitas madrugadas se misturaram ao canto precioso de um certo Galo de Ouro. Memórias vivas, passagens de uma vida doce-amarga, porque todas as vidas têm, em dados instantes, esses gostos que as impulsionam. Menina ainda, sonhando com um futuro no mundo das fadas. Moça, encarando a dura realidade de estar em meio ao turbilhão de gentes. E pelo seu Caminho de Pedras escreveu ao longo da vida muitas histórias de vida, registrando para sempre tudo aquilo que o avançar do tempo burila em cada um de nós. Senhora absoluta da escrita, com muita honra foi a primeira a ocupar cadeira na academia e isto anunciava novos tempos. Não vou mergulhar em sua história tão longa e fantástica, até porque, sua história está viva pelos diversos portais e impressa em suas famosas obras. Ela, Rachel – a escritora e a repórter. Repórter da alma humana e do cotidiano do mundo que a cercou. Pouco antes da partida, e desta vez para seguir seu Caminho de Pedras rumo à eternidade, crivou o Memorial de Maria Moura, que do livro foi para a telinha da tevê. Evidente que não posso esquecer O Quinze, seu primeiro livro e, portanto, o seu grande portal para uma jornada de absoluto sucesso. Rachel de Queiroz – senhora das nossas letras que escreveu, viveu e, portanto; fez muita história. Lá se vão 100 anos desde que chegou a este mundo em 17 de novembro de 1910. E lá se vão 7 anos desde a sua partida em 04 de novembro de 2003.
A cadeira ficou vazia, a literatura só deu um parêntesis, mas a obra de Rachel segue paralelamente ao nosso tempo, incitando releituras, sugerindo leituras e permitindo a esses aventureiros de suas palavras, dar alguns passos em seu misterioso Caminho de Pedras, por onde ela soube, melhor que ninguém, se transformar em escritora e acima de tudo, em nossa grandiosa Senhora das Letras. (P.B.J)

sábado, 13 de novembro de 2010

HISTÓRIA DE UM CERTO LIVRO DE LEITURAS

Meu primeiro dia na escola foi por certo uma incrível aventura. Na verdade, àquela altura, eu já estava de certo modo na escola fazia algum tempo. Primeira professora, minha irmã Marina, sempre envolvida com seus livros, revistas e recortes sem fim. Esse convívio evidentemente me deu gosto também pelos livros, revistas e alguns recortes bem tortos. Mas o fato é que minha ida para a escola foi apenas a aventura do caminho, porque eu já sabia ler e escrever um pouco. O caminho sim, aquele estradão empoeirado praticamente cercado de eucaliptos em sua extensão por onde a charrete era puxada pelo cavalo. Foram tantas idas e vindas... Mas e escola estava lá com sua aparente imponência e aquela criançada em centenas, coisa que eu até então não tinha nunca visto. De guarda-pó branco e com óculos para corrigir um desvio na visão, se fosse hoje, acho que eu seria um autêntico Nerd. A primeira professora da escola, Aydêe Cherobim Comin e o primeiro professor, Reinaldo Lourenço. Foi com eles que meu aprendizado seguiu, entre cadernos, cartilha, livros e folguedos de recreio. O tempo se foi...O Grupo Escolar General David Carneiro ficou para trás, assim como muitas lembranças de uma Palmeira praticamente ainda, na época, um pedaço do Brasil Império. Mas se as lembranças vão para a mente e o coração, o meu livro de leitura, Alvorada, o primeiro, ficou bem guardado por aqui. Simples e com textos bem selecionados, o livro de leitura e interpretação de textos de então era algo fantástico e simples pra mim. Recordo que a ordem da professora era que só se poderia ler os textos na medida em que as aulas sobre os mesmos avançassem. Me daria muito mal, mas...em dois dias li tudinho! O interessante hoje, é que o meu livro continua com a mesma capa plastificada que minha irmã se encarregou de fazer na época e com seus recortes, ainda está lá a figura de um menino e seu cãozinho. O garoto segura alguns jornais e talvez a sugestão tenha sido um tanto oportuna ou visionária. Não nego minha paixão pelos cães e muito menos pelos jornais.... Quando partimos naquele 1965, uma vida pacata e tranqüila ficaria para trás e abrir-se-ia um novo tempo, com nova escola, novos amigos e novas surpresas... Não foi pra menos que em minha caderneta e neste livro, o professor Reinaldo fez questão de grifar algumas palavras. Como se observa, não se trata de mais um livro de estudos, mas sim de um livro que diz tudo, desde sua capa criada pela sensibilidade de minha irmã, passando pelo seu conteúdo que reúne nomes hoje, a maioria desconhecidos mas acima de tudo, pela sua fiel companhia ao longo desses 45 anos onde minha aventura de vida sempre foi esplêndida. Preservo a obra por se tratar do meu “diário de bordo” nessa aventura de vida, de aprendizado, de escritos que me surpreendem, de imagens gravadas na alma, de pessoas inesquecíveis e de sonhos que ainda latejam nos confins do meu âmago. O estradão de outrora ainda me faz parar no tempo para recordar as idas e vindas, inclusive uma das quais a pé, pelo meio do estradão, porque nas beiradas, as cobras ficavam à espreita e ainda que com o coração pulando, com os ouvidos recebendo o chacoalhar do guizo de uma cascavel, lá me fui, heróico menino no que foi, com toda certeza a primeira aventura de coragem, para desespero de minha mãe e claro, um certo orgulho de meu pai. Divido assim com estas palavras este relato de uma passagem que simplesmente envolve um livro antigo de estudos, que preserva em suas páginas amareladas aqueles textos e poesias de gente que viveu suas aventuras também e que com elas ou através delas, ajudaram a abrir alguns caminhos por onde pude seguir sempre ao encontro das palavras, neste imenso quebra-cabeça de frases soltas que ao final, produzem uma nova história de existir. A seguir, reproduzo um dos textos contidos no meu livro. Cena da roça O sol descamba orgulhoso, Por trás do cerro altaneiro... Ouve-se, ao longe, o tropeiro Soltar um canto saudoso. Um cão de pelo lustroso Fareja, alegre, ligeiro, O dono, um moço trigueiro, Que anda a caçar, descuidoso. Da horta, abrindo a cancela, Surge o bom velho, sorrindo, Ao ver a neta à janela. O dia à noite se unindo... À luz do sol, uma estrela... Que quadro aquele tão lindo! Julieta de Mello Monteiro (1863-1928)
Escritora e editora, natural de Porto Alegre (RS). Fundou o periódico “O Corymbo”, primeiro da imprensa feminina no sul do país, em 1885. Além de colaborar para outros periódicos, escreveu poesias e contos, e criou ainda, a revista A Violeta. Pertenceu a Sociedade Paternon Literário.