segunda-feira, 28 de setembro de 2009

UMA DOCE FESTA PARA SÃO COSME E SÃO DAMIÃO

Há quase três décadas as crianças da região do bairro Afonso Pena em São José dos Pinhais, vivem uma data toda especial uma vez a cada ano: é o Dia de São Cosme e São Damião, ocasião em que a Tia Marina reúne a criançada para juntos, dividirem estes momentos de intensa alegria e comemoração. São 27 anos em que este dia envolve muito mais do que a alegria irradiada afinal, são quase quinhentas crianças a cada ano que ali chegam para provar deliciosos bolos, refrigerantes de vários sabores, cachorro-quente e o melhor de tudo: levar consigo um pacotinho com balas, pirulitos, pipoca e uma gama de outras guloseimas que nenhuma criança dispensa. Quando este compromisso teve início, Tia Marina teve no primeiro ano um numero pequeno de crianças, porém, no ano seguinte eles vieram em número surpreendente e encheram o coração dela de mais alegrias ainda. Isto porque também há 27 anos ela deu início ao Natal da Criança Feliz, quando reúne outro contingente de crianças carentes e seus familiares para juntos celebrarem a chegada do Natal. Nesta festa, que acontece geralmente uns três ou quatro dias antes do Natal, Tia Marina distribui, através de apadrinhamentos, brinquedos, roupas, calçados, cestas básicas e promove também várias mesadas com risoto e refrigerante à vontade. Na festa de Cosme e Damião, ela e uma equipe de colaboradores reúnem os doces, distribuem folhetos convidando a criançada e assim, a data é comemorada com muito brilho, não ficando de fora uma oração para a todos abençoar e assim, pedir ao bom Pai para que tudo aquilo se repita no próximo ano. A festa da criançada aconteceu neste domingo, dia 27 de setembro das 14 as 17 horas e lá estavam todos eufóricos mais uma vez. Trabalho é o que não faltou para toda a equipe presente, cada um imbuído de uma missão específica, que sempre envolve os cuidados com a entrada bem organizada para a mesada, os preparativos para os pratos e refrigerantes, a distribuição dos pacotinhos com guloseimas entre outros aspectos. Na festa do Natal tudo se repete, no entanto, desta feita o trabalho é dobrado, porque além da garotada toda reunida e ansiosa para receber os presentes das mãos do Papai Noel, a equipe tem que se desdobrar para organizar os pacotes de acordo com as fichas onde constam os nomes das crianças, dos seus pais, suas idades, numero de roupa e calçado e a entrega da cesta básica para cada família devidamente cadastrada. Mas além do trabalho, Tia Marina tem que batalhar muito para conseguir a ajuda necessária para que todos possam receber seus presentes e assim, passarem um Natal mais feliz. COMO VOCÊ PODE AJUDAR Os preparativos para o Natal da Criança Feliz deste ano já começaram e todas as famílias cadastradas já tiveram suas fichas atualizadas de modo que, crianças recebem presentes até os 12 anos de idade. O mecanismo funciona da seguinte maneira: você apadrinha uma criança, oferecendo uma roupa, um calçado e um brinquedo. Pronto! No Natal vamos ter mais uma criança carente feliz e envolvida no espírito natalino. São atendidas a cada ano aproximadamente 400 crianças oriundas de cerca de 120 famílias carentes que vivem nos bairros da periferia de São José dos Pinhais. A sua ajuda é sempre benvinda e para obter maiores informações, é só fazer contato com a Tia Marina pelo e-mail: mabrasilr@yahoo.com.br – Lembrando a todos que, além de contribuir e fazer uma criança feliz, você também pode participar da festa para comprovar toda a felicidade dessas crianças. Nós aproveitamos o ensejo para transmitir à Tia Marina, em nome de todas as pessoas que sempre colaboram, o nosso carinho e respeito pela sua atitude tão nobre em acolher esses coraçõezinhos e lhes oferecer tamanha alegria e felicidade. Que o seu coração, Tia Marina, prossiga sendo este gigante bondoso que ao longo desses 27 anos vem promovendo tantas alegrias e provando a todos que com um pouquinho de amor, é possível proporcionar tantas alegrias e fazer dessa maneira, com que o mundo seja muito melhor e mais justo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

AINDA QUE OS SONHOS PASSEM DO PONTO...

Dentre os doze meses do ano, setembro é um dos que mais aprecio, porque ele demarca a chegada da Primavera, por sinal, uma das estações mais belas. É a época em que a vida se renova feita borboleta que sai do casulo e, além disso, as árvores ganham nova roupagem verdejante e muitas delas, apetrechos multicores nas mais variadas formas florais. A cada ano sempre fico atento para esta época maravilhosa e justo agora, quando setembro adentrou pelo calendário, me pego atarefadíssimo em minhas atividades profissionais e nestes últimos quinze dias, sinceramente, não tive como chegar até aqui para registrar as curiosidades, as piadas, as mensagens, os lançamentos de livros, as peças de teatro e tantas outras coisas com as quais a gente interage a cada mês que se esvai. Dentro do que for possível, prometo não dar um espaço tão grande, no entanto, saibam, a todos que interessar que meu dia começou às nove da manhã desta segunda-feira, dia 14 e já estou a uma da manhã deste dia 15, aqui, em frente ao computador traçando estas linhas num esforço que me divide entre o teclado e a cama, que me espera logo ali. Bem; os sonhos podem esperar um cadinho mais e ainda que porventura “passem do ponto”, tenho absoluta certeza de que vão continuar bem doces, como deve ser um bom sonho, bem recheado de maravilhas que encantem a alma por onde ela achar que deve ir dar sua voltinha de praxe. Já aqui, diante dessa maravilha tecnológica que é o computador, um esforço a mais sempre valerá a pena, até porque, logo mais um novo dia vai raiar e lá vamos nós, para nossas jornadas de trabalho sem que se possa permitir o descuido de não admirar de verdade a fantástica dádiva de estar vivo e poder usufruir das maravilhas que o mundo oferece. Sei que todos temos nossos problemas, mas eles; devem fazer fila e a gente vai resolvendo um de cada vez afinal, o dia tem 24 longas horas e ainda que a gente fique sem tempo para muitas coisas, não se pode deixar passar a chance de dedicar alguns minutos para abraçar quem se ama ou então, dar uma ligadinha só para desejar aquele fantástico “bom dia!”. Setembro está ai e daqui a pouco, é Primavera no ar uma vez mais e que esta estação contagiante possa preencher a alma e o coração de cada um de vocês com a sua inimitável magia de nos mostrar o quanto a vida é bela, o quanto viver faz bem à própria existência. Feliz Primavera a todos vocês e obrigado pelas visitas diárias a este espaço. -Pedro Brasil Jr -

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

CHUVA

Minha grande amiga Zenaide continua firme, inspirando poesias a todo instante. Hoje, não poderia deixar de abrir espaço para compartilhar com você mais uma de suas criações.
CHUVA Zenaide Giovinazzo
Delicia um banho de chuva! Molhar a roupa, os cabelos, deixar lavar a alma e libertar todos os apelos... Alguns presos na garganta outros no coração fustigados pela chuva vão caindo pelos vãos... Escorrem pela calçada levam junto a inclemência e nesse banho de chuva é devolvida a inocência... SP/18/10/08

quarta-feira, 29 de julho de 2009

FRONTEIRAS DO DESCONHECIDO

Primeiro aprendi a contemplar o céu e deixei meu olhar se perder na imensidão azul. Depois, descobri nas nuvens uma incrível magia de formas como se fossem ilustrações de um gibi da alma. Depois, tive que aprender a observar a escuridão e meus olhos descobriram aos poucos os pontos cintilantes tão distantes quanto a vontade de se possuir um diamante. As estrelas estavam lá apontando para o infinito... Tempos depois fui descobrindo o encanto desses seres alados que batem suas asas de um lado para outro, dando um toque todo especial à paisagem. Pássaros multicores disputando espaços com as andorinhas acizentadas. Libélulas dando rasantes por sobre as águas e nas flores, colibris e borboletas em sua dança inimitável. Foi assim que meus olhos despertaram para os encantos da existência e muito tempo depois é que meu coração foi entender o perfeito sincronismo do universo. Tudo parecia ser e acontecer apenas no meu jardim. Porque aquilo tudo era o meu mundo e, embora houvesse o desconhecido, ele jamais havia atiçado minha curiosidade. As fronteiras desse desconhecido eram as mesmas que delimitavam a minha alma e portanto, o meu jardim , embora fosse uma partícula do universo, era o meu gigantesco mundo. Não haviam outros olhos que pudessem se perder em todas aquelas maravilhas e o que eu não sabia, era que outros olhos haveriam de pincelar sorrateiros aquilo tudo sem, no entanto, assimilar absolutamente nada; a não ser o meu segredo maior, que era apenas e tão somente o meu olhar. Aqueles olhos passaram como um cometa brilhante e me fizeram, pela primeira vez, pensar nas possibilidades do desconhecido, a começar por aqueles olhos flamejantes e inoportunos. Mas apesar disso me mantive em meus domínios embora algo estranho se processasse nos confins da minha alma. Sim; ela passou por aqui batendo suas asas de cristal tão frágeis, vôou ao redor de tudo e depois desapareceu no horizonte para sempre. Ficaram mais coloridas as flores, as aves, os colibris e as borboletas e o que era verde ficou ainda mais vistoso e uniforme. Só meu coração é que pulsava diferente, porque mesmo que eu não aceitasse, havia descoberto uma possibilidade e ela se chamava paixão. Aprendi então a me apaixonar, ainda que platonicamente.... Fiquei pelo tempo vivendo da imaginação e tive que aprender a olhar o universo por outros ângulos. Aprendi a arte da espera e da paciência. Tinha a confiança de que num belo dia ela voltaria, com suas asas vistosas e aqueles olhos que mais se pareciam com dois portais que levavam a um admirável mundo novo. Aprendi também que a espera não valia a pena e segui cuidando do meu mundo e de todos os detalhes que exigiam a ação do meu olhar e a destreza de minhas mãos. Meu jardim; meu mundo – estavam perfeitos, com o céu azulado, a passarada em algazarra e as flores desabrochando a todo instante. E nas noites, lá estavam elas, cintilantes a pulsar no infinito. Aprendi a olhar as estrelas e depois a contá-las até adormecer e mergulhar em meus sonhos mais estranhos. Aprendi também a me debruçar na janela e a ficar compenetrado no nada. Talvez ela estivesse por lá, porque se ela fosse apenas uma ilusão, também seria nada. A verdade é que jamais regressou e passei a admitir que tudo aquilo teria sido sim, uma grande ilusão ou quem sabe uma daquelas miragens que nos atacam nos instantes em que o corpo fraqueja. O tempo sempre foi implacável e nunca parou. O meu jardim, o meu mundo, passaram por transformações significativas também. E certo dia, me peguei diante do espelho e fixei meu olhar em meus próprios olhos. Aquilo me surpreendeu e me assustou. Eu estava frente a frente com alguém que na verdade eu nem conhecia direito. Foi assim que consegui mergulhar naqueles segredos da minha alma e lá, num jardim tão maravilhoso quanto o meu, descobri a presença daquele olhar num ser alado que nada mais era do que a própria transformação. Foi assim que aprendi um pouco mais de quem sou e um tanto a mais de tudo o que me cerca neste imenso jardim. ( Pedro Brasil Júnior ) Curitiba – 29 de julho- 2009-07-29 22h20min *Publicado originalmente na Usina de Letras - www.usinadeletras.com.br

sábado, 27 de junho de 2009

MICHAEL JACKSON - ENFIM UM MENINO NORMAL

Ele tinha nove anos e já cantava... Eu tinha onze e achava que ele era só mais um desses meninos que cantam. O meu negócio era correr atrás da bola pelos campinhos, soltar pipa, trocar figurinhas e brincar o máximo que fosse possível. Ele tinha nove anos e sua infância durou muito pouco...Eu tinha onze e fiz com que minha infância durasse pelo tempo que eu desejasse. Talvez ainda hoje, nos momentos em que me é possível, eu libere minha criança interior para que se exponha em brincadeiras sadias e assim, possa dizer, a seu modo, que a vida é simples, se a gente fizer tudo para que ela assim o seja. Daqueles onze anos para cá muitas coisas aconteceram no mundo e até certo ponto, fomos escrevendo nossas histórias em pontos tão distantes e de maneiras tão diferentes, cada um, acredito eu, sem dar-se conta do que seria a trajetória rumo ao futuro. Ele marcou nas páginas do seu livro, passagens memoráveis e que a todos parece, aconteceram ainda ontem. Marcou corações apaixonados e embalados por suas canções e tratou de distribuir costumes e paixões fervorosas no coração de seus fãs. Vendeu milhões de discos, superou todas as paradas com seus hits e mergulhou no fantástico mundo da fama como ninguém jamais poderia imaginar. Enquanto subiu seus degraus em direção à fama, eu segui o meu rumo como todo mortal dito normal, até porque a vida parece que dá mais vida àqueles que por alguma razão se destacam ao longo de suas jornadas. Mas isto acontece porque temos em nossa alma e sutileza das ilusões e elas nos empurram para frente como se fossem poderosas turbinas.
Não foram apenas as canções, nem a dança, nem os vídeos, nem os escândalos que o fizeram ser uma personalidade especial em todas as partes. O que mais marcou a todos foi o seu carisma humano, um menino eterno em seus folguedos milionários, atraindo milhares de fãs fervorosos aos shows e transmitindo a todos, pelos gestos, pela voz e pela dança uma mensagem qualquer para qualquer um em qualquer parte. Ainda hoje, quando escuto canções como “Happy”, “I’ll be there” e “One Day in you life” ainda em sua voz infantil, me desprendo dos meus 52 anos e faço uma viagem insólita até aqueles dias onde meus onze anos eram nada mais do que uma pequenina estação de onde partiria o trem da minha jornada. Tempos felizes, onde eu podia viver alheio a tudo o que acontecia pelo mundo, quer fossem as guerras ou as tragédias que dizimavam pessoas por todas as partes. Alheio até aos dramas familiares, as dificuldades que tomam o café da manhã, almoçam e jantam com a família ou algumas vezes em que a dificuldade foi tanta que ela nem apareceu para “fazer uma boquinha”, porque nos armários só haviam prateleiras vazias e na mesa, uma invasão de moscas como se aquilo fosse um aeroporto esquecido.
Nesta volta pelo tempo, revejo amigos perdidos e repasso por tantas situações que nem caberiam neste espaço. As alegrias, as tristezas, as chuvas torrenciais, o vendedor de verduras em sua carroça, o apito do trem cortando a cidade e as sirenes da polícia deixando todo mundo assustado. Repasso a alegria da minha casa, a vida dos meus pais que já se foram, as primeiras festinhas no melhor estilo americano e na vitrola...Michael Jackson. Depois vieram os aparelhos de som, os três em um, os cassetes até chegarmos aos dvds e a estas tecnologias ainda mais avançadas. Mas ele sempre se fez presente no presente ainda que por muitas vezes, fossemos buscá-lo naquele passado tão ingênuo, onde meninos e meninas eram simplesmente meninos e meninas inocentes, que podiam até se apaixonar, que podiam até trocar um beijo e ficava tudo por ai. Bem; muitos acabaram esperando o tempo passar e se casaram. Que coisa mais antiga você pode dizer hoje não é mesmo? Mas... onde ficou a inocência daqueles tempos? Daquela época em que lá longe um menino de nove anos cantava muito melhor que muita gente grande e mais tarde, tornar-se-ia tão grande que lhe faltaria espaço para a coisa mais simples a que todos temos direito: a liberdade de viver.
Sim; Michael Jackson não pode viver como nós, meninos ditos normais. Talvez diante dos nossos 50 anos ainda não tenhamos conseguido realizar muitos daqueles sonhos antigos de consumo. Ele ganhou tanto que qualquer coisa estava ao seu alcance. Mas nós pudemos caminhar tranqüilos pelas ruas, pelos parques e bosques e se divertir da maneira toda própria. Ele, que agora nos deixa tão prematuramente escreveu mensagens cifradas por toda parte e viveu, entre os altos e baixos da fama e dos escândalos confinado em sua vida pessoal tão cercada de mistérios. O preço da fama ou do estrelato é muito alto, no entanto, alguns indivíduos são destinados até nós justamente para nos encantar, nos passar mensagens novas, nos irradiar alegrias e depois, nos deixar assim, de uma hora para outra sem dar aviso algum.
A isto, dá-se o titulo de “missão” e a missão de Michael Jackson foi devidamente cumprida se observarmos o seu crescimento diante de todos os aparatos que fazem da música uma razão universal.
Pequeno e com voz grande ele foi um dia. Grande e com voz eterna permanecerá para a eternidade. Pagou alto por tudo isto, mas que ninguém se surpreenda daqui a um século se suas canções continuarem a tocar nas rádios e no coração de pessoas que nem chegaram a ver o ídolo que encantou o século vinte e deu, já no começo deste século vinte e um, os seus passos mais importantes em direção à luz.
A luz agora é divina caro Michael Jackson e que você trilhe por ela, seja lá onde for, com a mesma simplicidade, com a mesma voz, com os mesmos sonhos enfim. E que agora, o Criador te dê a chance ser um menino normal, só para que você possa sentir de verdade, o quanto de riqueza e brilho isto tem de importante na vida de todos nós.
-PEDRO BRASIL JÚNIOR -
Curitiba, 26 de junho 2009
*Publicado originalmente na Usina de Letras

domingo, 24 de maio de 2009

ESCULTURA

Eu queria de você uma palavra pelo olhar. Um gesto singular e implacável! Eu queria de você a oportunidade de novamente te esculpir sem me preocupar com o tempo. Uma escultura paciente feita por minhas mãos trêmulas numa emoção incontida. Eu queria que você estivesse bem aqui, neste exato momento distribuindo uma ingenuidade marota e sugerindo um passeio pelo teu corpo sem roupa. No ar a fragrância de tua química alvoroçada e teus lábios adocicados. Minha viagem através do teu ser fazendo descobertas surpreendentes! Me pego quase em dormência sobre a folha de papel e numa piscadela repentina, tento esboçar tua paisagem. Focalizo tua geografia completa e revivo em pensamento minhas jornadas através de ti. De certeza mesmo, só sei que agora não se faz presente e deve mergulhar em sonhos enquanto esta madrugada dispara de encontro ao alvorecer. O relógio quebra o silêncio! Meu suspiro também!.. Talvez esta solidão pudesse ser amarga, mas sinto com ela um gosto adocicado de morango maduro. Não me perco pelos rumos do rancor ou da dor. Percebo neste momento que apesar das divagações e desse desejo explícito, existe a magia de uma luz que brilha com toda intensidade e que me permite imaginar você, o teu desenho, a tua escultura enfim... Eu queria muito de você, mas me contento com a tua ausência. Só por ela, me é permito imaginar você! Este é o lado bom da solidão!
( Pedro Brasil Júnior )
São José dos Pinhais - 15/05/2009
*Publicado originalmente nos Anjos de Prata - www.anjosdeprata.com.br
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

EM QUE CARROSSEL NOS ESCONDEMOS?

Dos sonhos construímos a existência.
Das ilusões que bailam vida afora, extraímos o mais puro e transparente néctar.
E através dele, de suas misturas tão misteriosas, podemos mais tarde saborear a doçura ou o amargor de nossas escolhas. A vida pode ser um vigoroso alazão em galope constante, onde cavalgamos desenfreadamente na busca de alguma coisa que está por lá, em algum lugar dessa imensidão que nos cerca.
Mas isto pouco importa!... Começamos a cavalgar muito cedo, ainda que nem se perceba o estilo e a vontade de fazer bonito, de jamais cair do cavalo e se entregar a um instante de ridículo. Mas o que seria a conquista se não fossem nossos tombos? Como aprender mais sem cometer mais erros também? Minha vida seria apenas e tão somente uma poesia perdida entre as páginas de um volume qualquer. Mas estaria lá, aguardando olhos mais atentos para demarcaram uma leitura dinâmica. Talvez muito pouco esses olhos levassem de mim. Talvez muito pouco também, eles deixassem para minha escolha. Mas esta poesia de vida que também singra as paisagens nas patas de um alazão qualquer, às vezes ganha vida própria e tem o poder de me levar lá na frente ou me devolver bem lá para trás. A vida... essa vida que vivemos em círculos constantes é apenas um gigantesco carrossel, com seus cavalinhos entalhados e coloridos, que levam nos lombos nossos sonhos infantis, nossas ilusões adultas, nossos desejos mais secretos, nossas dúvidas mais cruéis e nossas vidas tão juntas e ao mesmo tempo tão separadas por estas cavalgadas intermináveis, onde jamais sabemos quem está na frente ou bem atrás. Esta cavalgada que parece um filme, um daqueles de jornada longa, com aventuras de todos os tipos e estilos, onde somos os personagens centrais, ainda que sejamos os mocinhos ou os bandidos. Uma aventura mágica, com trilha sonora única, digna da presença de um palhaço malabarista, capaz de tropeçar no próprio sapato e bater sua cabeça dura com a cabeça de pau de um desses cavalos inertes, mas incrivelmente cheio de vida. A trilha segue, ilustrada por nossos gritos, nossas risadas, nossos acenos felizes, nossa esperança incrustada naqueles entalhes onde o artista dedicou horas a fio para obter um resultado todo especial.
O carrossel é arte pura e através dele, seguimos em frente, num círculo que nos faz lembrar a Terra girando ao redor do Sol e nos obrigando a mudar de estações, porque a viagem é longa e as flores estão sempre à nossa espera. Vamos a elas como abelhas serviçais, carregando o néctar para fabricar aquela transparência que há muito perdemos e cujo brilho, apagamos com nossas mãos imundas e nossos pensamentos insanos. Aquele cristal único que decidimos lixar com nossa ignorância e assim, criar uma opacidade cruel, que esconde de nós mesmos a verdade mais tênue e que nos obriga a seguir em círculos numa busca ansiosa por nosso próprio caráter. E onde havemos de estar senão apenas e tão somente em nosso magnífico carrossel?
( Pedro Brasil Júnior )
São José dos Pinhais, 29/04/2009 - *Publicado originalmente na Usina de Letras.