sexta-feira, 3 de setembro de 2010

NADA COMO O TEMPO

NADA COMO O TEMPO
- Mário Quintana -
"Com o tempo, você vai percebendo que, para ser feliz com uma outra pessoa você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela... Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando... mas quem estava procurando por você!"

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

RETRATO FALADO

EU
-Vanessa Kopp Arantes Agria-
Eu sempre quis ser o sol para irradiar o dia... Mas nunca reparei que uma brecha de luz Fosse taõ importante Eu sempre quis ser a lua de uma bela noite Mas nunca reparei que uma pequena estrela Fosse tão formosa Eu sempre quis ser o Mundo Mas eu nunca reparei que eu sou importante do jeito que sou E de certa forma sou o mundo de alguém SOU FELIZ !SOU EU MESMA !
Confira o magnífico texto a respeito de RETRATO FALADO no blog de INAMAR

terça-feira, 17 de agosto de 2010

ESTAR COM VOCÊ

Estar com Você
- Julia Guiran -
Vou com você ... Ao teu lado Para onde for. Assim seguindo, nossa vida Das batalhas perdidas, juntos Brotam mais forte Nossos caminhos no amor. Vou com você, sorrindo sempre Sepultando as dores com raminhos de flores Nada detém o amor e a alegria De estar com você!
- Agosto 2010 -

domingo, 15 de agosto de 2010

ESQUINAS

ESQUINAS
-Pedro Brasil Jr-
Se me perguntar por onde tenho andado simplesmente direi que fui até à esquina! Uma dessas esquinas onde o tempo descansa sorrateiro. Uma dessas esquinas aonde a gente chega e desconhece o próprio destino. Mas que importam as esquinas se a vida é feita de entroncamentos? Giro meu olhar num círculo perfeito como já o fiz tantas vezes ali. O mesmo céu, as mesmas árvores, talvez os mesmos pássaros, os mesmos cães vadios... Mas a voz da alma jamais muda e seu apelo leva-me sempre até aquela esquina. Já me peguei em silêncio ali mesmo, olhando um vazio tão cheio de cenas. A imensa tela da vida com suas bruscas pinceladas, sejam nas manhãs frias, nas tardes inebriantes ou nas noites por onde os segredos voam disfarçados de mochos. Ah! Dá vontade de cuspir palavras, mas minha voz é puro silêncio! Consigo apenas falar comigo mesmo e isso, apesar de estranho, muitas vezes é um tanto esclarecedor. Como esclarecedor termina em “dor”, a dor maior se extingue como uma nuvem qualquer. As dores suportadas, pesadas, carregadas de rancores se foram por rumos que pouco interessam. Fica o sorriso e o pensamento leve!.. Fica a vontade de, num toque de magia, mudar algumas coisas, como se muda uma frase num texto qualquer. Mas nas esquinas da vida não se pode mexer. Por elas, passos de todas as magnitudes levam pessoas aos seus rumos rotineiros. Só eu mesmo é que venho até a esquina para espionar o tempo, em seu descanso curioso. Mas os ponteiros dos relógios seguem a galope,
seja no raiar do sol ou na miragem dos primeiros
holofotes. A noite embala os sonhos, a esquina fica vazia
e os mochos são agora verdadeiras extensões
dos postes. Outra vez na esquina, espiando as cenas da
grande tela e, se um descuido permitir, mergulhar
num olhar de menina. Mas esta é outra história!... - São José dos Pinhais – 15 de Agosto/2010 -

sexta-feira, 11 de junho de 2010

PARA UMA CERTA SOFIA DE MELO

As pessoas sensíveis Sofia de Melo Breyner Andresen (Porto, 6 de Novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004) As pessoas sensíveis não são capazes De matar galinhas Porém são capazes De comer galinhas O dinheiro cheira a pobre e cheira À roupa do seu corpo Aquela roupa do seu corpo Que depois da chuva secou sobre o corpo Porque não tinham outra Porque cheira a pobre e cheira A roupa Que depois do suor não foi lavada Porque não tinham outra "Ganharás o pão com o suor do teu rosto" assim nos foi imposto e não: "Com o suor dos outros ganharás o pão" Ó vendilhões do templo Ó construtores Das grandes estátuas balofas e pesadas Ó cheios de devoção e de proveito Perdoai-lhes Senhor Porque eles sabem o que fazem Livro Sexto – 1962 –Lisboa – Livraria Morais Editora Sofia de Melo fez-se poeta já na sua infância, quando, tendo apenas três anos, a ela foi ensinada "A Nau Catrineta" de Armando Ferreira: - "Havia em minha casa uma criada, chamada Laura, de quem eu gostava muito. Era uma mulher jovem, loira, muito bonita. A Laura ensinou-me a "Nau Catrineta" porque havia um primo meu mais velho a quem tinham feito aprender um poema para dizer no Natal e ela não quis que eu ficasse atrás… Fui um fenómeno, a recitar a "Nau Catrineta", toda. Mas há mais encontros, encontros fundamentais com a poesia: a recitação da "Magnífica", nas noites de trovoada, por exemplo. Quando éramos um pouco mais velhos, tínhamos uma governanta que nessas noites queimava alecrim, acendia uma vela e rezava. Era um ambiente misto de religião e magia… E de certa forma nessas noites de temporal nasceram muitas coisas. Inclusivamente, uma certa preocupação social e humana ou a minha primeira consciência da dureza da vida dos outros, porque essa governanta dizia: «Agora andam os pescadores no mar, vamos rezar para que eles cheguem a terra» (…)."

sábado, 29 de maio de 2010

LIRA DOS SETENTA

“...mas agora, nesta primeira grande ruptura de minha maturidade, sinto que os limites de minha arte e de minha vida se aprofundam imensamente com essas lembranças. Como se fossem reconstruídas em pensamento”
(Justine – 1º vol de “O Quarteto de Alexandria” – Laurence Durrel).
LIRA DOS SETENTA
-Rita de Cássia de Amorim Andrade- Ao longo desta vida as velhas lembranças são como velhas histórias contadas por velhos sábios, tão distantes de mim estão! Das mais recentes, são as rupturas as que mais me comovem. A morte de ALONSO: às vezes, a mente se confunde, e penso que ele estará de volta a qualquer momento. Depois, a mente se aclara e o sonho se desfaz. E a ruptura dos vivos? Quem se foi sem dar adeus? Alguém, talvez, que teve medo de dizer “adeus”? Existe alguém que se esqueceu de dizer adeus? Todos os amigos estão por perto? Não falta ninguém? Nem sempre a ausência de um amigo significa ausência de amizade. Digo “amigos”, porque são partes de mim própria. São células, quase sempre sadias, que se desprendem do meu corpo pela força do destino. Retornar-se-iam? Não sei, mas são pedaços de minha história. São os de corpo e espírito, Vivos ou mortos. E os parentes próximos e menos próximos? Estão correndo pelo meu sangue, não têm como escapar, não os deixo escapar. É também difícil deixar escapar os amigos não consanguíneos. Tenho um prana rente a minha pele, que teima em mantê-los dentro dessa atmosfera individual, como os corpos terrestres, cuja camada atmosférica não nos deixa cair no vazio do espaço. Assim, segue o meu tempo de humana, até quando, não sei. Como esses 70 anos são de uma vida bem vivida, tenho que celebrar com champanhe e velas perfumadas. Levantar a taça aos que estão próximos e aos que estão distantes. Teresina, 02 de dezembro de 2009