Cada vez mais estamos envolvidos por um mundo barulhento!
Nas ruas são as buzinas, as sirenes, o ronco dos motores.
Em casa, temos o rádio, a televisão e a Internet.
Vivemos conectados à tecnologia praticamente a maioria das horas que nos cercam. Desligamos um pouco pela necessidade do sono reparador, mas muita gente já dorme cada vez menos e o que poderia ser um simples problema do sono, já se transformou num alarmante caso de saúde pública mundial.
Sendo assim e diante de tantos sons da modernidade, já deixamos de ouvir outras notas há muitos anos.
As gerações mais recentes talvez nunca as tenham escutado, mas nós, mais antigos, sabemos o quanto era primordial em nossas andanças de outrora.
Eu particularmente recordo de um carrilhão demarcando as horas redondas no silêncio da noite. Um senhorio poderoso chamado tempo!
Também relembro no raiar dos dias e nas horas principais do canto do galo. Mas quem precisa de um galo para saber que já são três da tarde e é hora de tomar café?
Os galos viraram canja!
Quem ouve hoje em dia numa cidade grande o badalar de um sino?
Eles estão por certo na torre das igrejas, silenciosos e esquecidos.
E o apito de um trem distante? Quantos hoje já viajaram de trem singrando campos e montanhas.
Às vezes no silêncio da noite ouço o palpitar do meu relógio de parede, simples, mas com ponteiros movidos a uma bateria.
Noutras ocasiões ainda escuto bem distante o apito de um trêm e minha alma faz sua magistral viagem. Ela sempre regressa com palavras novas para dissertar sobre o antigo.
E acreditem; às vezes tenho a sorte de escutar o canto de um galo sortudo, dono do quintal e da magia de suas notas.
A modernidade transformou a sonoridade da vida da mesma maneira que aniquilou com tantas coisas que, para nós, mais antigos, era o que havia de melhor para facilitar a vida.
Não! Não quero que o tempo pare e nem que o progresso siga aniquilando com o romantismo.
Quero apenas que o palpitar dos relógios antigos possa ainda ser ouvido por muito tempo, que os galos sortudos soltem seu brado e que os trens possam singrar tantas paisagens levando cargas e gente esperançosa.
A vida é feita de invenções e tendências e eu tenho certeza de que muita gente lembrará agora de uma antiga caixinha de música com sua bailarina a fazer evoluções ou então, daquele radinho de pilha que era o companheiro ideal de tantos, por tantas horas do dia.
Sim! A vida é feita de valores, tanto antigos quanto modernos e é por isto que recordo também de um relógio cuco que tínhamos em nossa casa, todo trabalhado em entalhes onde esculturas de pássaros se sobressaiam. Os pêndulos que davam corda e faziam as engrenagens trabalharem e aqueles dois passarinhos miúdos que por alguns anos nos fizeram acordar nas madrugadas com seus registros de horas puramente vazias.
Mas lá fora, nas distâncias ainda tão curtas, o galo cantará às seis da manhã, o sino da igreja batera as sete e na estação, o apito do trem por certo anunciará sua partida para uma incrível jornada entre as paisagens já então transformadas.
Curitiba- 24/agosto/2011
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terça-feira, 20 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
MINHAS ANDANÇAS - O PASSEIO DA SOLIDÃO
Uma câmera na mão e nenhuma idéia na cabeça!
Já lá se vão uns 15 anos quando numa tarde preguiçosa de domingo sai sem rumo e fui parar nas ruas então tranqüilas de Piraquara.
Casarões antigos, crianças brincando na rua, cachorros defendo espaços a ladrar enquanto o sol teimava em infiltrar seus raios por entre as nuvens.
Recordo que andei um bom tanto e registrei em algumas fotos, cenas típicas de uma cidade ainda pequena com sua gente humilde num dia de descanso.
Fotografei graças a uma lente poderosa um solar distante, o menino solitário em sua bicicleta, um gato preguiçoso na soleira de uma janela antiga e o homem deste flagrante alheio à lente, alheio ao dia, alheio ao mundo...
Tentei imaginar suas histórias de vida por ali e senti que o casarão demolido, preservando apenas a antiga fachada deveria ter um significado especial para ele.
Não dá para adivinhar o livro alheio e segui adiante em meus passos solitários escrevendo um pouco mais a respeito de um dia que já é passado distante.
A foto ficou devidamente guardada esses anos todos e de repente, numa dessas visitas à solidão de nossas coisas, a redescobri e decidi traze-la para o mundo.
Não é uma cena incomum! Até porque estar só e pensando na vida faz parte do nosso cotidiano.
Mas a cena nos obriga a repensar a própria vida e nossas atitudes perante os outros.
Ainda que estejamos escrevendo nossa própria história, muitas e muitas vezes integramos a história alheia, senão também, somos, por muitas ocasiões, os que manipulam as páginas em branco onde os outros darão início a um novo capítulo.
O mundo pode ser maravilhoso e ao mesmo tempo cruel!
As pessoas podem ser bondosas ou maledicentes!
E a única verdade é que o mundo segue caminhando enquanto nós, por aqui, seguimos com nossos passos, nossas atitudes, nossas palavras suaves ou ásperas rabiscando a existência.
Grupos de amigos em reunião alegre ou homens solitários, sentados na soleira de uma porta antiga, fechada, resguardando quem sabe a esperança que por tantas vezes ali bateu na tentativa de mudar destinos.
Ou simplesmente homens solitários, caminhando por ruas vazias, com uma câmera na mão registrando para sempre a ilustração de mais um livro de vidas.
-Curitiba, 24 de agosto – 2011 -
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
MINHAS ANDANÇAS - A JANELA
Primeiro se fez o mundo!
Depois, por toda parte havia um horizonte.
Em cada horizonte havia cores, havia magia, havia todo um sentido.
E o mundo já estava feito!
Depois, por toda parte havia um horizonte.
Em cada horizonte havia cores, havia magia, havia todo um sentido.
E o mundo já estava feito!
Só muito tempo depois, bem depois das cavernas é que nasceram as primeiras janelas.
Ah! Janelas!...
São tantas histórias de cada um de seus lados...
Mas tudo o que se abre diante de uma janela nos transporta simplesmente para o mundo e sua gama de horizontes.
Horizontes perdidos!
Horizontes esquecidos!
Horizontes misteriosos!
Horizontes só nossos, como um risco sem fim dividindo o coração e a alma.
Na soleira das janelas é onde a visão se perde distante ou há poucos metros. Ainda que às vezes seja preciso dividir aquele espaço com um gato preguiçoso.
Pela janela fechada, através do vidro, sentimos certa ansiedade, como se presos estivéssemos.
E lá fora, em todos os horizontes possíveis, palpita a liberdade.Se chove, a janela se transforma num quadro passageiro, onde riscamos no suor as esquisitices de nossas emoções também passageiras.
Pelas frestas das cortinas deixamos nossas retinas pesquisar a vida alheia.Mas é da janela que emolduramos o mundo em todas as suas estações, em todos os seus fatos, em todos os momentos de puro ócio.
Porque a janela pinta as cenas que podem demarcar os caminhos de nossas andanças.
-Pedro Brasil Jr -
-Curitiba, 19 de agosto- 2011 -
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