quarta-feira, 26 de maio de 2010
QUANDO ENVELHECER VOU USAR PÚRPURA
AVISO
- Jenny Joseph -
* Escritora inglesa nascida em Birminghan em 07 de maio de 1932
Quando envelhecer vou usar púrpura com
chapéu vermelho, que não combina
nem fica bem em mim.
Vou gastar a pensão em uísque e luvas de verão
e sandálias de cetim - e dizer que não temos
dinheiro para a manteiga.
Vou sentar na calçada quando me cansar e devorar
as ofertas do supermercado, tocar as campainhas
e passar a bengala nas grades das praças
e compensar toda a sobriedade da
minha juventude.
Vou andar na chuva de chinelos, apanhar flores
no jardim dos outros e aprender a cuspir.
A gente pode usar camisas horríveis e engordar,
comer um quilo de salsichas de uma vez
ou só pão com picles a semana inteira
e juntar canetas e lápis e bolachas de
cerveja e coisas em caixinhas.
Mas agora temos que usar roupas que nos
deixem secos, pagar aluguel, não dizer
palavrão na rua e ser bom exemplo
para as crianças.
Temos de ler o jornal e convidar
amigos para jantar.
Mas quem sabe eu devia treinar um pouco agora?
Assim os outros não vão ficar chocados demais
quando de repente eu for velha e usar
vestido púrpura.
A VELOCIDADE DE ALMA
Um viajante, ansioso para chegar logo ao seu destino no coração da África, pagava um salário extra para que os seus carregadores nativos andassem mais rápido. Durante vários dias, os carregadores apressaram o passo. Certa tarde, porém, todos sentaram-se no chão e depositaram seus fardos, recusando-se a continuar. Por mais dinheiro que lhes fosse oferecido, os nativos não se moviam. Quando, finalmente, o viajante pediu uma razão para aquele comportamento, obteve a seguinte resposta: "Andamos muito depressa e já não sabemos mais o que estamos fazendo. Agora precisamos esperar até que nossas almas nos alcancem".
Nota: Pura sim, a alma que legou o texto. Pena que a autoria esteja completamente desconhecida. Mas se você porventura souber quem foi o autor, por favor, me informe.
sábado, 24 de abril de 2010
DESEJOS
DESEJOS
-Pedro Brasil Jr -
Os instantes estão cada vez mais distantes
Inquietantes esses ponteiros do relógio
De sobressalto recordo que o tempo existe!
O silêncio é pura intensidade
E com ele toda minha verdade aflora
Como talos de flor-de-ipê,
Que silenciosas nascem e a gente nem vê
A noite brilha lá fora com seu lençol de estrelas
E minha memória recupera instantes de outrora
Doce aurora com o Sol imponente
Afinal, cada dia tem seu próprio esplendor
Minha dor eram dores
Que de um plural as tornei tão singular
E eis-me aqui, agora, ouvindo meu próprio coração
Tento lembrar de você, que jamais conheci
Estranho?
Estranho sou eu, invadindo o sonho teu
Não importa! De todo modo, abri a porta do tempo
E com o vento me fui ao teu encontro
Em algum horizonte perdido
Seus lençóis azuis amarrotados
Suas vestes lilás de qualquer jeito
A profundidade do teu sono perfeito
Estou aqui!
E quem será você?
Minha fabulosa estrela radiante
Minha criação estonteante
Decido parar o tempo
Porque nesse instante eu posso.
Neste momento eu quero
Meu desejo é tão simples
Tão puro e cristalino
Quase igual a água do meu riacho
Olho a maciez da tua pele
Um convite para minha aventura
E vejo teus poros arrepiar
Um toque sutil e maravilhoso
Um aroma no ar
Teu perfume gostoso
A razão se confunde com o sonho
Ela sabe a que me proponho
E o tempo volta a palpitar
Deixo-me pronto à entrega
E me envolvo em todo o teu ser
Com pinceladas de um grande artista
Cada milímetro de você
Passando por minhas mãos
Cada segundo do que sou
Se envolvendo na tua magia
Instantes são assim
Figuras em silhuetas
Sugerindo apenas o que se quer
Momentos são assim também
Irrigando a alma com desejos que convem
E minha vida segue ao léu
Com teus olhos com um céu
Com teu corpo feito planeta
Com meu desejo impresso em meus gametas.
Quem é mesmo você?
A noite brilha lá fora com seu lençol de estrelas
E minha memória recupera instantes de outrora
Doce aurora com o Sol imponente
Afinal, cada dia tem seu próprio esplendor
Minha dor eram dores
Que de um plural as tornei tão singular
E eis-me aqui, agora, ouvindo meu próprio coração
Tento lembrar de você, que jamais conheci
Estranho?
Estranho sou eu, invadindo o sonho teu
Não importa! De todo modo, abri a porta do tempo
E com o vento me fui ao teu encontro
Em algum horizonte perdido
Seus lençóis azuis amarrotados
Suas vestes lilás de qualquer jeito
A profundidade do teu sono perfeito
Estou aqui!
E quem será você?
Minha fabulosa estrela radiante
Minha criação estonteante
Decido parar o tempo
Porque nesse instante eu posso.
Neste momento eu quero
Meu desejo é tão simples
Tão puro e cristalino
Quase igual a água do meu riacho
Olho a maciez da tua pele
Um convite para minha aventura
E vejo teus poros arrepiar
Um toque sutil e maravilhoso
Um aroma no ar
Teu perfume gostoso
A razão se confunde com o sonho
Ela sabe a que me proponho
E o tempo volta a palpitar
Deixo-me pronto à entrega
E me envolvo em todo o teu ser
Com pinceladas de um grande artista
Cada milímetro de você
Passando por minhas mãos
Cada segundo do que sou
Se envolvendo na tua magia
Instantes são assim
Figuras em silhuetas
Sugerindo apenas o que se quer
Momentos são assim também
Irrigando a alma com desejos que convem
E minha vida segue ao léu
Com teus olhos com um céu
Com teu corpo feito planeta
Com meu desejo impresso em meus gametas.
Quem é mesmo você?
quinta-feira, 22 de abril de 2010
LEMBRANDO CECÍLIA
CANÇÃO
- Cecília Meireles -
No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.
Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto
Quando as ondas te carregaram
meus olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.
Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.
E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
PÉROLA-BUTIÁ
Elementos equidistantes raramente se unem. Se bem que apesar disso, nós, na maioria das vezes conseguimos "teimar" em nos unir ao oposto, só porque alguém um dia disse "que os opostos se atraem". Mas aqui, o mundo é poesia, da poesia e para a poesia. A poesia é o caminho e o poeta o caminhante aventureiro, aquele que enxerga com o coração, que vai direto à essência de tudo o que é essencial e puro para a vida. Não dessa vida tão cheia de dissabores e de tantas coisas erradas.Mas daquela vida simples, que o poeta cria dentro de sí como a ostra, ferida ou irritada, cria sua magnífica pérola. Assim, em razão dessa "teimosia", Clarice Villac conseguiu unir duas coisas extremamente opostas em cena inimaginável. Nasceu "Pérola-Butiá", mais que uma poesia, uma verdade que transforma o fruto numa jóia rara, tão rara quanto o coração da poetisa e tão sugestiva quanto a foto da sensível Maria de Fátima Barreto Michels afinal, o fotógrafo é, por conta de sua observação, o grande poeta das cenas, das imagens, do flagrante que será eternamente único como única é a alma de quem conhece os misteriosos caminhos da existência. Pra vocês, a seguir, "Pérola-Butiá", a poesia da Clarice Villac com um toque todo especial. (P.B.J)
Pérola Butiá
- Clarice Villac -
Vem de mãos caprichosas
A toalha de crochê, delicada.
Na mesa da artista criativa
Encontra a concha perfeita,
Antiga morada de um bichinho feliz
Que agora, depois de muito viajar,
Acolhe o pequeno butiá
Pra brincar de fruto do mar !
- 01/04/2010-
- Clarice Villac -
Vem de mãos caprichosas
A toalha de crochê, delicada.
Na mesa da artista criativa
Encontra a concha perfeita,
Antiga morada de um bichinho feliz
Que agora, depois de muito viajar,
Acolhe o pequeno butiá
Pra brincar de fruto do mar !
- 01/04/2010-
domingo, 28 de março de 2010
A LANTERNA DO MARUJO
A LANTERNA DO MARUJO
- Pedro Brasil Jr -
A pintura da casa estava quase concluída e agora, começavam a surgir idéias na cabeça de dona Myrta. Enquanto observava o pintor deslizar o rolo na parede frontal, imaginava bem ali um banco onde poderia apreciar o movimento da rua nos finais de tarde.
- Um banco daqueles brancos! – Pensava ela bem alto.
- O que disse? – retrucou o pintor.
- Nada! Estou conversando comigo.
E foi assim que dias depois a Kombi do seu Aloisio era estacionada em frente ao portão e lá estava o belo banco todo em ferro e bem pintado a óleo.
Dona Myrta não hesitou e todas as tardes ficava sentadinha observando a passagem das pessoas. As cinco em ponto, Marialva vinha do colégio já com a camisa meio aberta de maneira que suas formas podiam ser vistas de longe. A turma do barzinho do seu Quim dava uma pausa só pra ver a morena passar com os peitos em riste e a bundinha rebitada.
Dona Myrta suspirava.
- Ah! Os meus tempos da juventude. Eu também era boa, e como!
Depois, a gurizada passava em arruaça, atirando pedras nos outdoors e xingando a mãe sabe-se lá de quem.
Dona Myrta não gostava muito daquilo e logo vinha até a grade e ralhava.
- Vá dormir velha fofoqueira!!! – Gritavam em côro.
Faltavam dez para as seis e a hora da oração diária se aproximava. Dona Myrta levantou, olhou de um lado pro outro e ficou pensando no anoitecer que já chegava sorrateiro.
A noite era pra ela algo sem sentido. Não podia ficar olhando a rua, a não ser em bisbilhotadas esporádicas pela cortina. Assistir a novela não era a sua grande atração e sozinha em casa, tinha para si apenas a companhia de Orfeu, um gato preto que foi chegando de mansinho e montou acampamento ali mesmo.
E foi numa dessas espiadelas pela cortina que dona Myrta teve outra grande idéia. Colocar uma lanterna próxima ao banco e ficar ali, mesmo com as muriçocas incomodando os ouvidos.
No dia seguinte cedo lá foi ela dar um giro pelas casas de ferragens. O que imaginara não conseguia encontrar. Achava lampiões de todos os tipos mas uma lanterna daquelas de antigos guarda-freios da Rede Ferroviária não tinha em lugar algum.
Alguém sugeriu um ferro velho, onde ela passou o dia e nada! O proprietário já tava com o saco cheio de tanto ela perguntar sobre a lanterna. Ele mesmo, pra se livrar, sugeriu um antiquário.
Dia seguinte cedo, lá estava dona Myrta no antiquário e de cara foi dizendo o que desejava e perguntando o preço. A atendente da loja abriu um sorriso e em seguida apresentou três modelos diferentes. Dona Myrta escolheu o exemplar que era todo banhado em cobre. Ficaria um luxo no seu pequeno jardim.
Apesar do preço, ela não hesitou e antes de sair da loja, a moça aproveitou para contar uma daquelas estórias de fantasma. Disse que o dono da lanterna era um marinheiro e que desde que morreu, vivia atrás de quem ousasse se apoderar de sua flamejante peça.
Disse inclusive que a lanterna só foi parar ali porque o antigo dono não agüentava mais as aparições do velho marujo.
Dona Myrta não deu importância e ainda lascou : Não tenho medo de fantasmas, filha! Tenho medo mesmo é dos vivos!
E lá estava a lanterna. Agora, com um pouco de querosene a chama iluminava o suficiente o local onde dona Myrta espreitava a vida alheia.
Aconteceu no entanto, que os malandros da redondeza decidiram espalhar um boato só pra sacanear com dona Myrta. E foram dizendo aos quatro ventos que ali agora era um bordel refinado.
Incontáveis clientes à procura dos prazeres da carne foram
incomodar dona Myrta que a certa altura já estava com a vassoura em mãos.
Uma noite, enquanto ela dava um cochilo ali no banco, alguém a tirou dos sonhos batendo palmas. Ela olhou de rabo de olho e viu que só podia ser mais um daqueles idiotas que haviam se convencido de que ela agora era uma dona de bordel.
O homem insistiu.
- O que o senhor deseja?
- Minha lanterna!
Ela olhou bem no sujeito e foi gritando:
- Esta lanterna é minha! Comprei com o meu dinheiro e vê se não enche!
O sujeito olhou bem pra ela e disse:
- Volto pra pegar o que é meu! Volto sim!...
À noite, antes de dormir, dona Myrta sempre rezava. Havia gente maldosa que dizia que ela pedia pra dormir com tantos santos que acreditavam que todas as noites sua cama quebrava por causa do peso.
Precavida, tratou de fazer umas orações fortes e garrou no sono.
No silêncio da madrugada, acordou com um barulho vindo do quintal. Espiou pela cortina e viu o mesmo sujeito que desejava sua lanterna. Receosa, gritou, dizendo que ia pegar uma arma. O indivíduo não deu a mínima e foi pulando o portão com a lanterna numa das mãos.
Dona Myrta abriu a porta e foi até o portão. Ficou olhando o sujeito caminhar tranqüilo, como se não tivesse cometido nenhum delito. Gritou, esbravejou e acordou a vizinhança. Todos foram à rua ver o que acontecia.
-Ele pegou minha lanterna! É ladrão!
Os mais afoitos empreenderam uma corrida para pegar o larápio que continuava a caminhar lentamente e agora, com a lanterna acesa. Num instante, ao se aproximarem para pegá-lo, o homem empreendeu vôo e na escuridão passou a brilhar com as chamas da lanterna e desapareceu distante.
Contam que ninguém ficou por ali para discutir o fato. O que se sabe, é que o velho marujo havia realmente voltado para pegar sua lanterna e que dona Myrta, naquela noite, depois do ocorrido, levou quase uma hora para conseguir entrar em casa.
Dizem as más línguas que ela seguiu para dentro passo a passo, devidamente calculado, dando entender que, mesmo sem transparecer medo pelo que presenciara, ela havia feito ali mesmo na rua, todas as suas necessidades fisiológicas.
Curitiba - 20.04.05
- Vá dormir velha fofoqueira!!! – Gritavam em côro.
Faltavam dez para as seis e a hora da oração diária se aproximava. Dona Myrta levantou, olhou de um lado pro outro e ficou pensando no anoitecer que já chegava sorrateiro.
A noite era pra ela algo sem sentido. Não podia ficar olhando a rua, a não ser em bisbilhotadas esporádicas pela cortina. Assistir a novela não era a sua grande atração e sozinha em casa, tinha para si apenas a companhia de Orfeu, um gato preto que foi chegando de mansinho e montou acampamento ali mesmo.
E foi numa dessas espiadelas pela cortina que dona Myrta teve outra grande idéia. Colocar uma lanterna próxima ao banco e ficar ali, mesmo com as muriçocas incomodando os ouvidos.
No dia seguinte cedo lá foi ela dar um giro pelas casas de ferragens. O que imaginara não conseguia encontrar. Achava lampiões de todos os tipos mas uma lanterna daquelas de antigos guarda-freios da Rede Ferroviária não tinha em lugar algum.
Alguém sugeriu um ferro velho, onde ela passou o dia e nada! O proprietário já tava com o saco cheio de tanto ela perguntar sobre a lanterna. Ele mesmo, pra se livrar, sugeriu um antiquário.
Dia seguinte cedo, lá estava dona Myrta no antiquário e de cara foi dizendo o que desejava e perguntando o preço. A atendente da loja abriu um sorriso e em seguida apresentou três modelos diferentes. Dona Myrta escolheu o exemplar que era todo banhado em cobre. Ficaria um luxo no seu pequeno jardim.
Apesar do preço, ela não hesitou e antes de sair da loja, a moça aproveitou para contar uma daquelas estórias de fantasma. Disse que o dono da lanterna era um marinheiro e que desde que morreu, vivia atrás de quem ousasse se apoderar de sua flamejante peça.
Disse inclusive que a lanterna só foi parar ali porque o antigo dono não agüentava mais as aparições do velho marujo.
Dona Myrta não deu importância e ainda lascou : Não tenho medo de fantasmas, filha! Tenho medo mesmo é dos vivos!
E lá estava a lanterna. Agora, com um pouco de querosene a chama iluminava o suficiente o local onde dona Myrta espreitava a vida alheia.
Aconteceu no entanto, que os malandros da redondeza decidiram espalhar um boato só pra sacanear com dona Myrta. E foram dizendo aos quatro ventos que ali agora era um bordel refinado.
Incontáveis clientes à procura dos prazeres da carne foram
incomodar dona Myrta que a certa altura já estava com a vassoura em mãos.
Uma noite, enquanto ela dava um cochilo ali no banco, alguém a tirou dos sonhos batendo palmas. Ela olhou de rabo de olho e viu que só podia ser mais um daqueles idiotas que haviam se convencido de que ela agora era uma dona de bordel.
O homem insistiu.
- O que o senhor deseja?
- Minha lanterna!
Ela olhou bem no sujeito e foi gritando:
- Esta lanterna é minha! Comprei com o meu dinheiro e vê se não enche!
O sujeito olhou bem pra ela e disse:
- Volto pra pegar o que é meu! Volto sim!...
À noite, antes de dormir, dona Myrta sempre rezava. Havia gente maldosa que dizia que ela pedia pra dormir com tantos santos que acreditavam que todas as noites sua cama quebrava por causa do peso.
Precavida, tratou de fazer umas orações fortes e garrou no sono.
No silêncio da madrugada, acordou com um barulho vindo do quintal. Espiou pela cortina e viu o mesmo sujeito que desejava sua lanterna. Receosa, gritou, dizendo que ia pegar uma arma. O indivíduo não deu a mínima e foi pulando o portão com a lanterna numa das mãos.
Dona Myrta abriu a porta e foi até o portão. Ficou olhando o sujeito caminhar tranqüilo, como se não tivesse cometido nenhum delito. Gritou, esbravejou e acordou a vizinhança. Todos foram à rua ver o que acontecia.
-Ele pegou minha lanterna! É ladrão!
Os mais afoitos empreenderam uma corrida para pegar o larápio que continuava a caminhar lentamente e agora, com a lanterna acesa. Num instante, ao se aproximarem para pegá-lo, o homem empreendeu vôo e na escuridão passou a brilhar com as chamas da lanterna e desapareceu distante.
Contam que ninguém ficou por ali para discutir o fato. O que se sabe, é que o velho marujo havia realmente voltado para pegar sua lanterna e que dona Myrta, naquela noite, depois do ocorrido, levou quase uma hora para conseguir entrar em casa.
Dizem as más línguas que ela seguiu para dentro passo a passo, devidamente calculado, dando entender que, mesmo sem transparecer medo pelo que presenciara, ela havia feito ali mesmo na rua, todas as suas necessidades fisiológicas.
Curitiba - 20.04.05
- Publicado originalmente nos Anjos de Prata -
quinta-feira, 25 de março de 2010
O VÔO DA ZENAIDE
Grande amiga Zenaide:
Você sempre nos surpreendendo com suas poesias oportunas. Nem pedi licença desta vez afinal; você merece muito do que isto. Muita Paz e muita Luz pra você sempre!
VIDA
Zenaide Giovinazzo
Amo a Vida.
Muito ela me oferece, aceito-a de braços a
bertos, ávida, sorvendo até a última gota!
E tudo pode vir através de um sorriso, da brisa, de uma música, uma poesia, o canto de um pássaro, uma flor, o cheiro da terra molhada.
Deixo entrar, abro meu coração para melhor receber as dádivas do céu.
Deixo entrar a música dos anjos, deixo entrar o amor de quem me ama.
Amo a Vida, e as mudanças que ela traz dia após dia...
Sou feliz, amante da Vida, amante do belo, amante do amor.
Sou feliz, sou infinitamente feliz em ser livre, em voar...
SP/Maio/2008
bertos, ávida, sorvendo até a última gota!
E tudo pode vir através de um sorriso, da brisa, de uma música, uma poesia, o canto de um pássaro, uma flor, o cheiro da terra molhada.
Deixo entrar, abro meu coração para melhor receber as dádivas do céu.
Deixo entrar a música dos anjos, deixo entrar o amor de quem me ama.
Amo a Vida, e as mudanças que ela traz dia após dia...
Sou feliz, amante da Vida, amante do belo, amante do amor.
Sou feliz, sou infinitamente feliz em ser livre, em voar...
SP/Maio/2008
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